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Galpão,
desenho a crayon, 23 X 27 cm, 1941.
Coleção Maria Camargo,
Fundação Iberê Camargo
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Em seus escritos e memórias, Iberê
sempre recorda o quanto gostava de desenhar e pintar.
Companhias constantes eram o papel e o lápis de
ponta grossa. Onde quer que estivesse, estava rabiscando,
traçando linhas, criando personagens de papel.
Alguns de seus primeiros desenhos, são, justamente,
resultado dessas observações, como o desenho
que fez da casa de sua avó, em Santa Maria, ou
o desenho de Bua, a sua ama-de-leite. Nota-se, mesmo nesses
estudos, o traço rápido e decidido do artista.
A grande maioria desses desenhos se encontra no acervo
da Fundação Iberê Camargo.
Quando começou a pintar, deu-se o mesmo processo.
Eram caros a Iberê os temas e as paisagens cotidianas.
Algumas das suas mais antigas pinturas remontam aos anos
40. E, dentre as mais célebres, estão imagens
da natureza da pequena cidade de Jaguari, onde passou
parte de sua juventude e onde seus pais viveram até
o fim de suas vidas. Cidade banhada pelorio que lhe dá
nome, Jaguari ganhou, nas telas de Iberê, força
e colorido vicejantes. O artista gostava de pintar detalhes
da vegetação e seus reflexos no rio. Também
gostava de retratar as ruelas e a topografia da região. |
A partir de 1942,
quando ganha bolsa de estudo para o Rio de Janeiro e parte
para a então capital federal com sua esposa, Maria,
a fim de estudar e conviver com os grandes mestres brasileiros,
Iberê continua explorando o mesmo tema. Porém,
sua paleta ganha um novo colorido a partir da convivência
com um atuante grupo de intelectuais e a partir, sobretudo,
das aulas com Alberto da Veiga Guignard. Iberê pintou
algumas telas com

Lapa,
óleo s/ tela, 70 X 60 cm, 1947.
Coleção Museu Nacional
de Belas Artes, Rio de Janeiro |
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clara influência
do artista, como o fundo com cores diáfanas.
Porém não se tratava de cópia,
mas sim de aprender o estilo de um importante mestre.
A temática iberiana, nesse período,
continuava sendo a paisagem. O artista apreciava
a prática de pintar as paisagens de Santa
Tereza, com as pequenas ruas, os morros, os fios
de eletricidade, os transeuntes. Foi com Lapa, uma
pintura que trazia, justamente, esses elementos,
que Iberê conquistou, em 1947, o prêmio
de viagem à Europa concedido pelo Salão
de Pintura. Depois dessa viagem de dois anos e das
convivências com artistas como De Chirico,
Carlo Petrucci e André Lhote, a arte de Iberê
Camargo nunca mais foi a mesma. |
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Jaguari,
óleo s/ tela, 40 X 30 cm, 1941.
Coleção Maria Camargo,
Fundação Iberê Camargo |
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